Testemunho de fé – Artur

Irmãos, sempre é tempo de louvar e agradecer a Deus pela misericórdia derramada em nossas vidas, e hoje, após três anos transcrevo fidedignamente o testemunho que escrevi ainda no quarto de hospital quando nosso filho Artur teve alta.

Lendo novamente este testemunho todo o filme repassou em minha memória, e mais do que nunca tenho vontade de agradecer a Deus por tamanha bondade.  

“Dai graças ao Senhor porque ele é bom, eterna é sua misericórdia.” (Salmo 117, 29) 

 

Escrito em 13 de fevereiro de 2009.

“Eu, André, e minha esposa Leydyany, somos casados há quase seis anos e sempre acreditamos que por vontade de Jesus nossos destinos foram cruzados, pois eu morando em Brasília e ela em Teresina, como poderíamos viver juntos? Mas em outra oportunidade eu conto esta história.

Em 2008 resolvemos ter nosso filho e assim na vontade de Deus ele foi concebido. A gestação estava muito tranqüila e estávamos realizando o Pré-natal assiduamente. Na trigésima semana de gestação minha esposa começou a apresentar picos de pressão alta, e foi diagnosticado uma DHEG (Doença Hipertensiva Específica da Gravidez), o que levou os médicos a ficarem vigilantes e então passamos a realizar exames semanais, quase que de 3 em 3 dias, e fazer o controle da pressão arterial diariamente, pois havia risco de desencadear algo mais grave.

No dia 25 de dezembro fizemos uma bateria de exames que o médico solicitou, e na apresentação destes, no dia 29/12/2008, o médico diagnosticou que a Leydyany estava apresentando um quadro de Síndrome de HELLP (Doença grave caracterizada pelas alterações laboratoriais do paciente: H – Hemólise [anemia], EL – Elevação das Enzimas Hepáticas, P – baixo número de Plaquetas no sangue).  Ao observar os exames da Leydyany o médico decidiu pela interrupção da gestação, caso contrário a mãe e o bebê estariam seriamente comprometidos, já que somente com a remoção da placenta a doença poderia ser curada. Não houve tempo nem para aplicar as doses de corticóide para ajudar no amadurecimento dos pulmões do bebê. Tomamos um enorme susto, mas, decidimos pensar que era um milagre a doença ter sido descoberta antes que pudesse se agravar e algo pior acontecer. Apenas pedimos para Deus que tudo corresse bem e pudéssemos sair ilesos daquela complicação.

O médico Dr. Petrus estava de viagem marcada e decidiu adiar para que pudesse fazer o parto da Leydyany. Ela entrou na sala de cirurgia às 22h e eu fiquei do lado de fora orando e pedindo a Deus que tudo corresse bem, pois o médico já tinha nos alertado sobre as possíveis intercorrências que poderiam acontecer com ela e com o bebê. Fui avisado que não poderia assistir o parto, porque a Leydyany possivelmente sairia da sala de cirurgia entubada (respirando por aparelhos) e iria diretamente para a UTI. Ela precisou tomar anestesia geral. A cirurgia correu tudo bem e a Leydyany saiu da sala de cirurgia aproximadamente meia-noite e graças a Deus não houve necessidade de sair respirando por aparelhos, mas teve que ir para UTI mesmo tendo reagido bem. Os médicos precisavam que ela ficasse em observação.

À 1h da manhã fui ver o Artur já na UTI Neonatal (CETIN). Por causa da prematuridade (7 meses) ele nasceu com SDR (Síndrome do Desconforto Respiratório) já que seu pulmão ainda estava imaturo.

Após 14 horas na UTI a Leydyany foi liberada para o quarto. Ficamos internados 5 dias. Como estava no Hospital, ia muitas vezes ao CETIN para ver o Artur, mas tinha que dar atenção à Leydyany. Como foi bem colocado por um amigo que fez uma analogia ao que acontece nos aviões em caso de despressurização. Primeiramente devemos dar condições aos adultos para que esses possam ajudar às crianças, e assim eu fiz. O Artur estava bem assistido pelos médicos e eu nada poderia fazer, nem ao menos tocá-lo eu podia. Mas não deixei de acompanhá-lo e perguntar sempre como estavam as coisas.

A recuperação da Leydyany foi muito boa, impressionou até os médicos. As seqüelas que a doença poderia deixar eram assustadoras. Insuficiência renal, hemorragias, etc. Graças a Deus nada disso aconteceu com a Leydyany.

Com a melhora da Leydyany, voltamos nossa atenção totalmente para o Artur.

Devido à prematuridade houve evolução do desconforto respiratório e por decorrência de uma infecção inespecífica, outros agravamentos foram acontecendo. Apnéia, anemia e o pior de tudo: Crises convulsivas.

Gostaríamos de fazer alguma coisa, mas ali estavam profissionais muito bem treinados cuidando dele. Fomos orientados para evitar colocar a mão dentro da incubadora para evitar infecções, portanto só poderíamos ficar observando-o e orar. Oramos muito, pedíamos para que Deus aliviasse o sofrimento que uma pessoa tão pequenininha e inocente estava passando.

Tive que voltar a trabalhar e o tempo ficou muito escasso, tinha que me desdobrar para ficar no hospital e trabalhar. O horário que eu podia ficar dentro da UTI era limitado e coincidia com o horário que tinha que ficar no trabalho, tava muito difícil. A Leydyany melhorou bem e começou a ficar mais tempo com o Artur no hospital. Quando eu conseguia escapar do trabalho vinha até o hospital na hora do almoço e pegava a Leydyany e ia para a paróquia Nossa Senhora do Perpétuo socorro que fica próxima ao hospital para rezar. Íamos às missas nas quintas-feiras na paróquia Nossa Senhora de Nazaré e aos domingos também íamos à Paróquia Dom Bosco, que sempre freqüentamos. Conversamos o Padre João para saber se podíamos batizá-lo ainda no hospital, mas ele nos orientou que se havia a possibilidade da criança ser batizada na Igreja, era melhor. Somente em casos extremos (possibilidade de morte) o sacerdote faria o batismo no hospital. Então optamos por esperar o Artur sair, pois tínhamos confiança em Deus que ele viveria.

O Artur foi melhorando, os medicamentos foram suspensos e quando achávamos que estava perto dele ir para casa, outra infecção insistiu em atormentá-lo. Por conseqüência da infecção os outros sintomas se agravavam. Novamente crises convulsivas, desconforto respiratório, anemia, necessitando de transfusão de sangue e sofrimento.

Foram longos 33 dias entre altos e baixos, o Artur melhorava e tinha recaídas, a Leydyany tirando leite para trazer para o Artur, eu escapando do trabalho para vir para o hospital, que ficamos visivelmente abatidos e cansados. Mas não desistíamos de rezar. Muitos amigos que conhecemos estavam fazendo orações.

Por um momento fraquejei, e meio que sem saber um amigo (Cláudio) me ligou dizendo que ia pedir para colocar o nome do Artur na intenção da missa de quinta-feira. Fiquei emocionado ao ver muitos colegas na missa compartilhando comigo aquele momento. Foi um combustível para eu continuar.

No dia 3 de fevereiro o Artur estava “estável”, mas ainda dependendo de respiração artificial. Eu falei para a Leydyany: “Estou precisando conversar com alguém que conheça bem a Bíblia para que possa nos dizer uma palavra de conforto!”. Eu queria um algo a mais para poder continuar, mas não estava conseguindo saber onde procurar. Quando saímos do hospital e estávamos indo para casa, por volta das 18h, a Leydyany recebeu um telefonema convidando para rezar um Terço na casa do Iroito. A Lilian, esposa do Iroito, juntamente com a Suemy, há tempos tentava organizar este evento, e foi justamente neste dia que conseguiram organizá-lo. Muitas pessoas foram convidadas, muitos conhecidos meus. Entre as pessoas que lá estavam, tinham alguns integrantes da Comunidade Obra de Maria, não me lembro de todos pelo nome, mas, lembro-me bem do nome de dois. Alex e Viviane. Vou explicar por que.

O Alex foi quem conduziu o Terço e se apresentou enquanto rezávamos. Foi muito bom estar ali com meus amigos e familiares e rezar. O Alex leu uma palavra na Bíblia que falava sobre Fé. Quando Jesus caminhava sobre as águas e Pedro pediu para que fosse ao encontro de Jesus e no meio do caminho teve medo e afundou, mas mesmo assim Jesus estendeu-lhe a mão para resgatá-lo. “Porque tiveste medo, homem de pouca fé?”. Estava aí a palavra que eu precisava ouvir. Se eu sou cristão e acredito que Jesus tudo pode, porque eu estava com medo? Refleti muito sobre isso. No final da oração tive a oportunidade de falar o que estava sentindo e pedir ali que aquela oração também fosse direcionada para a saúde e recuperação do Artur. Rezamos e o Alex deixou o convite para participar da missa de cura no dia 04 de fevereiro com o Frei Josué. Terminado o Terço fomos lanchar e a Viviane procurou a Leydyany e falou que tinha sentido uma presença muito forte de Nossa Senhora e ali ficaram conversando.

No dia seguinte, 4 de fevereiro, fomos à paróquia São Rafael para participar da missa de cura. Ali orando, fazendo as reflexões que o Frei orientava, senti que Nossa Senhora tinha me dado um aviso. Se eu queria mesmo de coração algo de bom, que confiasse, que deixasse Jesus tomar conta da situação. O que eu realmente precisava fazer era acreditar, ter Fé. Eu precisava entender que o único caminho era deixar Jesus entrar no meu coração. As palavras do Frei Josué soavam como música (boa música), levava-nos a olhar para dentro e entender o que estava faltando. E estava bem ali e então entendemos. Devemos ter FÉ sempre, buscar a Deus e deixar Ele agir em nossas vidas. Precisamos entregar a vida a Deus. Já estava bom. Eu estava certo de que não temeria mais, mas Deus ainda tinha algo a mais para nós. Na hora da comunhão a Viviane nos viu e conversou com o Frei sobre o que estávamos passando. Ela nos procurou no meio das pessoas que estavam ali na Igreja e voltou a falar que Nossa Senhora estava tocando, que tinha algo de bom para gente. A Viviane comunicou-nos que o Frei havia nos convidado a fazer uma oração no Altar. Todas as pessoas que estavam na Igreja oraram pelo Artur, ali na frente apenas fechei os olhos e senti uma presença muito forte do Espírito Santo entre nós. Eu tive uma certeza que Deus tinha curado meu filho. Fiquei todo arrepiado quando o Frei falou que Nossa Senhora estava com o Artur, olhando por ele.

No final da missa fomos procurados por algumas pessoas que não conhecíamos nos trazendo palavras de apoio.

Fomos para casa e no outro dia fomos visitar o Artur no hospital. Quando chegamos, observei que o Artur estava muito inquieto e perguntei para o médico: “Doutor porque ele está tão inquieto?”. Eu estava acostumado a vê-lo sedado, dormindo, raramente abria os olhos. O médico apenas falou: “Ele está assim porque está bem. Está ativo”. Enquanto estávamos ali do lado dele, ele arrancou o aparelho que estava auxiliando a respirar um monte de vezes. Não contei, mas acho que foram umas 10 vezes. Ele arrancava o aparelho e a enfermeira vinha e colocava novamente. A enfermeira desistiu. Então éramos nós que colocávamos o aparelho de volta. Antes se esse aparelho ficasse fora do nariz dele o nível de oxigênio dele baixava e a máquina começava a apitar, mas naquele dia ele tirava o aparelho e nada acontecia. Fomos para casa e sem que estivéssemos por perto para colocar o aparelho de volta, ele tirou o aparelho e depois de algum tempo a Doutora que estava de plantão foi observá-lo e percebeu que o aparelho estava fora do nariz e o nível de oxigênio dele acima de 90%. A médica então falou: “Tira esse negócio desse menino, ele não quer mais esse aparelho!”.

Na sexta-feira dia 06 de fevereiro o Artur estava respirando sozinho, tinha apenas uma mangueirinha de oxigênio jogando um pouquinho dentro da incubadora. A médica falou que no outro dia poderíamos pegá-lo no colo.

No sábado levamos máquina fotográfica para registrar a primeira vez que ele ficaria nos braços da mãe.

No domingo foi a minha vez de segurá-lo no colo. Tinha que ir exatamente às 14h, porque 15h ele ia mamar (pela sonda) e às 16h tinha visitas então não podia passar do horário. Fiquei com ele no colo. Não demorei, para não cansá-lo. Logo depois veio a enfermeira para dar o leite, como ele estava com a sonda, a enfermeira sempre verificava se havia resíduo gástrico, para observar a digestão do bebê. Neste dia ele teve muito resíduo. A enfermeira informou à Doutora que ficou muitíssimo preocupada. Perguntei para a Doutora o que poderia ser. Ela me falou que poderia ser apenas uma má digestão, ou… Ou outra infecção. Não hesitei e pensei comigo mesmo: “Jesus não vai permitir isso e Nossa Senhora está aqui. Eu confio, eu acredito”. Fiquei por ali e entendi o que se passava. Era mais uma vez um sinal de Nossa Senhora. Então eu falei para a médica: “Doutora, essa foi a única maneira dele avisar que quer mamar na mãe dele”. A Doutora sorriu. Insisti mais duas vezes e a Doutora então resolveu fazer o teste. Colocou o Artur no colo da mãe e ele mamou muito, mas muito que ficou cansado. A Doutora disse que estava admiradíssima, pois, não acreditava que ele teria forças para sugar. E eu disse: “Pode se admirar Doutora, isso é obra de Deus”.

Durante a semana foi só melhora, uma evolução acelerada. Agora estou escrevendo este testemunho no quarto do hospital, o Artur teve alta, mas precisa ficar no quarto por uns dias. Os médicos nunca liberam direto para casa, precisa passar por uma transição.  Assim que puder levarei o Artur para dar o testemunho pessoalmente.

O Artur precisará de cuidados especiais por se tratar de uma criança prematura. Teremos que fazer acompanhamento com neuropediatra para investigar as causas das crises convulsivas, mas já sabemos que o único remédio que cura é JESUS.

Agradeço a Deus pela vida da Leydyany, por ela ter passado por essa sem complicações e agradeço muito pela vida do Artur.

Agradeço mais ainda por ter colocado pessoas tão especiais no nosso caminho.

GLÓRIAS E LOUVORES A JESUS CRISTO!!! 

SÓ DEUS SALVA!!!

MARIA É NOSSA MÃE!!!”

 

 André Borges e Leydyany Sampaio

Membros Consagrados da Comunidade Obra de Maria

Missão Brasília

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Tags: