A vida Comunitária dos Músicos Evangelizadores

Caros irmãos e Ministros de Música,

 

Convidados a refletir sobre o Trabalho em Equipe, tomaremos por fio condutor de nossa reflexão, as palavras de Nosso Senhor relatadas em João 17, 23: “eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade e o mundo reconheça que me enviaste e os amaste, como amaste a mim“.

A unidade encontra-se no centro dos mistérios escondidos no coração de Deus. Deus que não sabe viver e fazer nada sozinho revela ao mundo pela boca de Deus Filho, que existe um Pai que o enviou para nos salvar, existe um Espirito Santo que nos santifica e nos faz seus filhos também. Este Deus revelou que embora sejam pessoas diferentes, estão cada qual unidos de tal forma que são uma só pessoa. Assim sendo, a oração de Jesus ao Pai revela seu desejo: que participemos deste mistério, sendo unidos com tamanha perfeição, que embora sejamos pessoas tão diferentes, não seja mais possível enxergar outra coisa, senão um só corpo, uma só alma, movidos por um mesmo Espírito, cantando uma mesma canção.

A vivência comunitária nos faz experimentar, embora de modo imperfeito ainda, o convite do Senhor. Pessoas diferentes, realidades diferentes, contextos, histórias, passados, experiências, dores e alegrias movidos e unidos na busca de um só desejo, um único objetivo: Jesus Cristo.  Unidos em torno de seu nome, por Seu amor, trilhamos o mesmo caminho com outras pessoas, que juntas como equipe desejam viver o evangelho e anunciá-lo.

Impossível falar de trabalho em equipe sem falar de unidade. Impossível ainda mais é achar que se pode existir unidade sem que Deus esteja no centro dessa equipe, dando “liga”, tempero, razão, sentido, força, propósito verdadeiro para continuar. O Espírito Santo é o cimento e nós, os tijolos na construção da missão.

Na unidade agimos de modo integrado, coeso uns com os outros. É este o único modo possível de agir e fazer as coisas acontecerem na vida comunitária e como um Ministério de Música também vive, em escala menor, essa realidade, somente é possível fazer a missão acontecer de modo eficiente, estando os músicos unidos a Deus e em comunhão uns com os outros.

Isso não quer dizer que todos devam se tornar iguais, onde as diferenças desapareçam, mas significa que cada um abre mão do seu “pensamento próprio”, suas concepções, “jeitos de ser”, para caminhar junto numa mesma visão, num mesmo propósito com os demais, para o cumprimento da missão e metas estabelecidas pela liderança.

O Egocentrismo que nos faz achar nossas opiniões ou jeito de fazer, melhor do que o do irmão, do coordenador ou até mesmo de todo o ministério. A competição dos que querem sempre estar “certos” e serem “melhores” que os outros. O auto-pastoreio daqueles que não conseguem se abrir para serem ensinados, conduzidos, pastoreados, caminhar em bando como as ovelhas, tal como ensina a carta de  Judas versículo 12, conduzem a missão à esterilidade e à frutos que não permanecem. Tudo isso deve ser mortificado em favor da unidade.

Nossas diferenças são dons nas mãos de Deus e enriquecem a missão se todas elas estiverem a serviço da complementariedade.  Nos completamos. A fraqueza de um é alicerçada com a fortaleza de outro, nossas dores são consoladas pela esperança do outro, nossos saberes são somados aos saberes dos outros e quando Deus age tudo isso é multiplicado com abundância infinita.

Quantas vezes desanimado, olhando a perseverança do irmão ao nosso lado, fomos convidados a “fortalecer nossos joelhos vacilantes” e retomar a caminhada. (Isaías 35, 3-4). Quantas vezes o nosso testemunho pôde encorajar quem estava ao lado, inspirar outros a continuarem e outros ainda, a começar o caminho.  Como as notas musicais, as experiências humanas de cada músico e irmão, embora de modo individual e essencial, somente desempenharão sua plena função se forem combinadas com o todo na harmonia de uma única melodia.

A princípio, pareço estar endereçando minhas palavras à formação comunitária. Acontece que com o tempo, cada vez mais percebo que este é o segredo da coisa. O músico ao meu lado é antes de tudo meu irmão. É antes de tudo alguém que deseja o céu tanto quanto eu. Não posso ministrar o que não vivo. A proposta do Evangelho é comunhão entre os homens e estes, com Deus.  Não posso subir ao altar ou aos palcos de cara feia para o outro que está ali dando a vida pelo mesmo propósito que eu. Corro o risco de comprometer a evangelização.  Contudo, também não tenho a pretensão de falar de coisas longe do alcance de todos. Sei que brigamos, sei que os outros nos ferem e nós ferimos os outros. Sei que é difícil a convivência e fazer a missão acontecer ao lado de quem não nos damos muito bem, é coisa difícil de fazer. Mas sempre me pergunto, meu ministério não é antes de tudo para santificar a mim mesmo? Meus ouvidos não devem ser os primeiros a ouvir os que canto ou o que toco? Acaso sou eu alguém já pronto e formado que se colocou como mestre à frente de um povo?

Creio sim que nosso Ministério deve primeiramente santificar a nós mesmos. Se preciso ser mais paciente, lá está a oportunidade dada por Deus através do irmão que testa minhas limitações e expõe minhas fraquezas. Deus me cura, me ensina, me forma à medida que vou cantando e tocando suas maravilhas aos outros. Às vezes desistir da missão é desistir de nós mesmos uma vez que a missão e quem está ao meu lado, é a oportunidade criada por Deus para me santificar e salvar.

Pedindo perdão e perdoando, compreendendo e corrigindo, exortando e sendo pastoreado, ensinando e aprendendo com quem tem mais tempo e sabe mais do que eu. Renovando a amizade e o companheirismo, sempre encontrando Deus na oração e seus sacramentos. Afinando o espirito e os instrumentos, crescendo em unção e técnica, tocando todos no mesmo tom e vivendo em um só espirito, penso que aqueles que nos ouvem, reconhecerão que Deus enviou seu Filho ao mundo por amor aos homens e nosso ministério terá cumprido a razão de seus existir.

Deus abençoe!

Marton

Consagrado Obra de Maria

Missão Brasília

 

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